Primeira carta

Carta 128 – aquela da mamãe não ser 100%

On 7 de fevereiro de 2012, in Sem categoria, by Mariáh

(ao som de Redemption Song – Bob Marley)

Oi, filhote!

Sabe que eu fiz quase tudo que eu quis na vida. Nunca tive muito limite, sempre dei um jeito, fui lá e vivi. Uma das coisas que eu não consegui, mas que eu queria mais que tudo, foi te amamentar no peito. Eu ainda falo disso. Tu vai fazer 5 meses e meu leite secou com vinte dias. O papai sempre fica brabo com a mamãe quando eu falo nesse assunto, porque ele diz que é muita bênção nossa que tu seja forte como tu é, eu tendo descoberto da gravidez tão tarde e ainda mais sendo diabética, que não amamentar não é nada perto de tudo o que poderia ter acontecido. E eu sei que ele tem razão. Mas não há nada que me faça eu me sentir como uma aleijada do que ver uma mulher amamentando ou falando que amamentou não sei quanto tempo. Não é como uma inveja ruim, eu não quero tirar isso de ninguém, mas sempre penso “Por que eu não, Deus? Por quê?”.

Hoje uma nenê, filha de uma amiga nossa, começou a chorar de fome desesperadamente. Aí o papai dela pediu pra que a gente fizesse um c0mplemento do teu Nestogeno pra ela. Baixou a Nice (uma das enfermeiras do hospital que me ajudava) na mamãe e eu fui lá e ajudei as duas. Aqueles dez dias no hospital que eu acreditava terem sido em vão, que de nada tinha nos servido, que só me estressei, que fizeram a dinda Fran com seus poucos centímetros de comprimento ficasse gigante pra me acalmar, finalmente fizeram sentido. Durante todo aquele tempo, eu escutava o que as pessoas me diziam, mas não conseguia pôr em prática, porque simplesmente meu organismo não convergia com minha vontade. Hoje eu consegui e isso me fez muito feliz.

Claro que nada do que aconteceu hoje compensa o que eu deixei de fazer por ti (viu, ainda me sinto culpada), mas foi uma coisa inexplicável. Eu não me considero uma pessoa boa, mas hoje me senti tão bem ajudando.

Comecei a pensar em coisas que a gente não consegue realizar na vida. Acho que tudo deve ter um sentido, filho. A gente tem que tentar sempre extrair algo do que vivemos, nada acontece por acaso, nada é em vão.

Amo-te, Fernando. Perdoa a mamãe por não ser 100% contigo, tudo na vida tem algum sentido. Tem que ter.

Carta 127 – aquela dos dindos

On 7 de dezembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

(ao som de My Baby – Janis Joplin)
My Baby by Janis Joplin on Grooveshark

Oi, lindão!

Ontem foi a primeira vez que te deixei aos cuidados de alguém e que eu não estivesse a menos de dois minutos de voltar correndo só com um toque no celular. Parece que você sabia que íamos nos separar (ai, primeira e última vez que digo isso), porque momentos antes de sairmos de casa você começou a rezingar. Acalmei você e fomos pra casa do Dindo Gui. Eu já sabia que vocês ficariam bem, pelas vezes anteriores de vocês brincando, como nas fotinhos aqui:

 

 

 

 

 

Mas ele estar todo preparadão, trabalhado no pijama, te esperando… foi fora de série:

Enquanto isso, a mamãe via teu outro Dindo, o Fê, brilhar no palco do Lala:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(fotos de Ana Chris)

A peça me emocionou por diversos momentos e razões. O Tio Maicon fez uma adaptação e direção incrível, os atores estavam maravilhosos também. Fala sobre o nazismo, mexe com muita coisa da História ainda recente. Eu, que já estava angustiada com a nossa distância (de quatro quadras), senti uma dor forte no ventre a cada cena, a cada descrição de tortura, de absurdos que aconteceram. Meus amigos ali são personagens do maior extermínio da humanidade, o Holocausto. Uma peça foda maravilhosa, que me deixou sem reação, extremamente chocada. Teu Dindo arrasou, filho. Valeu a pena essa enorme pequena separação nossa, porque vi o potencial, que eu já conhecia, se destacar ainda mais. Além de um grande amigo, compadre, dindo, irmão, ele é um grande ator – indiscutível.

Enquanto isso, no apartamento do Dindo Gui, estavam vocês dois com o papai assessorando via Skype. Diz que tu ficou o tempo todo querendo atenção, o dindo só te largou dos braços num momento em que tu ficou no carrinho, mas fez questão da presença dele para brincar contigo. Quando cheguei, apertei tanto você no meu colo, ainda nervosa pela peça. Passou tanta coisa na minha cabeça… Tem uma cena bem forte no começo. Emprestei pro Dindo Fê umas mantinhas tuas e ela foi usada nessa cena, [SPOILER] em que o bebê é tirado da mãe e jogado no chão. É tanta coisa horrível que acontece no mundo, filho, fico nervosa, sabe, porque um dia eu vou ter que cortar o nosso cordão umbilical imaginário e sei que será extremamente difícil…

Assim que tu veio pro meu colo tu dormiu, tal qual tu faz com o papai, que tu dá um bailão e depois quando vem pro meu colo dorme em 2 minutos. Aí o Dindo Gui serviu um vinho pra mamãe relaxar e ficamos os dois bêbados falando da vida, do ano mucho loco de 2011, de sermos adultos agora… e o papai ainda no bico pela webcam. Voltamos pra casa e segui as orientações da médica, do mamá de 130ml e a cada 3h e foi ótimo, você dormiu muito melhor.

Não sei se pela peça ou pela nossa gigantesca mini separação, mas hoje passamos o dia juntinhos aqui, eu por cima de ti te babando. Fiquei horas com fome, porque não queria me mexer e te acordar, você estava no meu braço. Mas valeu a pena, olha sua carinha linda:

E também tomei vergonha na cara e comprei um microfone para o papai poder te ouvir na webcam, o que nos traz a essa imagem maravilhosa:

Eu não sei se estou sendo muito repetitiva, filho, se sou uma mãe corujona, o que é, mas cada dia que passa eu sinto que te amo mais, tu é uma criança linda, inteligente, esperta. Não consigo deixar de te admirar.

Mamãe te ama pra caramba, Fernando!

Carta 126 – aquela da primeira febre

On 6 de dezembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

(ao som de La bamba – Los lobos)

Oi, meu bebezinho lindo!

Ontem você fez uma vacina que dá reação, que você sente dor e pode ter febre ou não. Você nem chorou quase, foi bem tranquilo. Aí depois fomos na pediatra. Ela ficou com uma cara bem feia quando percebeu que eu não te levei no mês de novembro pra consultar e começou a me dizer coisas como se eu fosse leviana contigo. Talvez eu tenha exagerado um pouco na recepção da mensagem, mas é que tô com um zumbido de “irresponsável” na cabeça que não passa nunca. Aí quando eu te tirei do carrinho e te pelei, ela mudou o tom. Disse que você está bastante sadio, que a  curva do crescimento está perfeita, nos seus 5,5kg e 58cm. Só não curtiu muito o seu horário das mamadas, que eu disse que às vezes você mama mais, noutras menos. Ela disse que tem que ser a cada 3h e 130ml. O bom de ir no médico é saber que você está se desenvolvendo bem e está saudável. Agora essa história de padronizar os bebês não é comigo. Você fique tranquilo, porque deixarei você mamar o quanto e como quiser.

Passamos no Dindo Gui pra uma visitinha na volta. Inventamos a roda de chimarrão-e-do-bebê, porque ficamos circulando você e a cuia. Depois fomos na padaria, você no carrinho, bem feliz, o que deixou a mamãe com vontade de te trazer pra casa passeando. Nos despedimos do Dindo e estávamos vindo bem felizes quando deu dor na sua perninha e você começou a espernear no meio do calçadão da XV. Filho, parecia que eu tava roubando uma criança. Uma moça perguntou se eu queria ajuda pra empurrar o carrinho, porque nessa altura eu já estava contigo no colo se remexendo todo. Aí sem saber se eu ia ser assaltada ou ajudada, resolvi pensar que ainda existe gente boa no mundo e a moça empurrou o carrinho até o táxi. Fim? Claro que não. Você continuava aos berros e o taxista não conseguia desmontar o carrinho. Não sei de onde, mas surgiram mais dois homens e eles conseguiram desmontar (sim, os três juntos). Quando finalmente chegamos em casa, te dei remédio e te afofei na cama, nos meus braços. Você dormiu direto umas 5h, com direito a mamar e arrotar dormindo. E a mamãe por cima de ti, medindo tua temperatura todo o tempo.

Agora só mais 24h, tipo AA, e passará esse mal estar. A gente voltou a Curitiba pra fazer as vacinas e consultar e deixou um papai coruja louco de saudade. Mas a gente se vira como pode, a tecnologia ajuda: enquanto você dorme e a mamãe tá passando roupa na sala ou tomando banho, o papai te acompanha pela webcam. Aí qualquer coisa ele me dá um toque no celular e eu corro pro quarto. É claro que a mamãe dá conta sozinha, mas assim fica tão participativo, né? Acho que ajuda a diminuir a saudade. Em breve nos reencontraremos e daí tudo ficará bem de novo.

Daqui a pouco tem a estreia da peça do Dindo Fê, daí a mamãe irá ver e você ficará aos cuidados do Dindo Gui. Mesmo confiando nele, meu coração fica apertado. Ficaremos 1h30 separados e eu to quase chorando aqui… Por que isso, né? Mãe é um caso sério…

Hoje você tomou a primeira mamadeirinha de água, coisa mais linda. A médica disse pra te dar 30ml, 3x de 10ml por dia. Você tomou direto, numa vez só, 40ml, depois mais 20. Daí a Fátima e a Tia inês, mãe do Dindo Fê,  disseram que eu não posso dar muito porque dilata seu estômago então, dessa vez, eu vou respeitar as normas médicas. Olha que lindo você, todo trabalhado na água mineral:

Aqui você com o Dindo Gui, na visita que ele nos fez na casa do papai:

Mamãe te ama TANTO, bebê! E se comportem tu e o dindo, não façam nada que eu não faria depois de mãe!

Carta 125 – aquela do divisor de águas

On 29 de novembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

(ao som de Cación de Cuna – Los Piojos)

Oi, meu amor!

Sabe um divisor de águas? Na geografia é uma linha imaginária que separa as águas das chuvas. Na vida é algo que acontece e que nos muda bruscamente, de maneira que podemos ver nossas vidas, com base nesse acontecimento, como “antes” e “depois” desse fato. Você é, sem dúvidas, um divisor de águas nas nossas vidas. Depois de você, coisas muito boas e maravilhosas acontecerem.

Eu dizia, até pouco tempo atrás, que diria pra ti que tu é gaúcho e não paranaense, nascido em Curitiba. E isso por vários motivos, não só uma questão geográfica. Mamãe e papai são gáuchos, nossos familiares são, nosso time é de lá também. Fora o espírito gaúcho, guerreiro, companheiro e todas outras coisas que você ouvirá a vida toda a mamãe se orgulhar. Isso mudou quando o papai me disse pra não fazer isso, porque foi depois das coisas que aconteceram em Curitiba, no Paraná, é que nossas vidas mudaram. E que a gente não pode negar isso pra ti. Que depois disso e do teu nascimento, coisas muito boas têm acontecido. Mamãe ficou sem resposta – e olha que isso é beeeem difícil de acontecer.

A única coisa que ainda não chegamos a um consenso é sobre o seu time. Eu estou criando um gremista, por mais que o Grêmio esteja se esforçando pra não melhorar, eu quero que tu torça pelo meu time, pelo time do teu pai. Ele acha que, tu morando em Curitiba, vai acabar torcendo por alguma equipe do Paraná. Enfiou na cabeça que tu vai ser Coxa. Ai, filho, mamãe não quer. Nem que pra isso eu tenha que te levar a Porto Alegre várias vezes ao ano para que tu assista aos jogos no Olímpico ou na (futura) Arena.

Tu está cada vez mais lindo, mais fofo. A gente te olha e quase chora de tanto amor. Sério que eu não sabia que poderia existir um sentimento tão forte quanto esse que eu sinto quando te olho. Deveria ter outro nome, não amor. “Amor” é pouco, é uma simplificação muito pobrinha pra significar o que vive dentro de mim e aflora quando eu te vejo, te aperto, te abraço, te cuido.

Mamãe te ama demais, Fernando!

“Le pedi al señor que me diera un amor… Nunca pense sería tan profundo.”

 

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Carta 124 – do latim “rezingare”

On 25 de novembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

(ao som de Elijah Emanuel – Raices Costenas)

Oi, bebezinho lindo!

Quando estávamos na casa da Bisa Eloiza, ela dizia que quando você ficava choramingando era que você “rezingava”. Nunca tinha ouvido essa palavra, mas no momento que ela falou fez total sentido. Depois disso, passei a falar constantemente sem prestar atenção que  realmente ela havia entrado no meu vocabulário. Até que pronunciei pela primeira vez na frente do papai: “Não, isso já vai passar, ele só tá rezingando”. DEUSDOCÉUMISERICÓRDIA, o que essa criatura riu, dizendo que era a palavra mais feia que ele já ouviu na vida. E foi assim que “rezingar” passou a ser uma fase do teu dia, em que tu já mamou, tá de fralda trocada, cansado, mas não quer dormir, aí fica rezingando, ou seja:

rezingar
re.zin.gar
(voc onom) vtd e vint pop 1 Altercar. 2 Resmungar: Rezingar ameaças. Está sempre rezingando esse rabugento! 3 Recalcitrar.

Papai discutiu que essa palavra não existe, que a Bisa que inventou. Chegamos a digitar no google ontem, mas com “s”, daí deu que não existia e papai saiu vitorioso. Hoje, ainda encucada, digitei com “z” e apareceu! Ainda não contei pra ele, estou esperando pelo momento certo da glória.

De manhã você rezingou uma hora com o papai até que ele estendeu o braço e te rolou pra mim. Afofado no meu corpo, você dormiu um pouquinho, mas ficou rezingando ainda. Depois de muito tempo, levantei pra tomar um café, porque achei que você fosse longe ainda e te deixei sozinho. Foi então que você parou de rezingar e ficou conversando, brincando com as perninhas, a coisa mais linda do mundo… Seria nosso bebezinho dando sinais de independência? Ai, eu não aguento!

Mamãe num ótimo estado contigo:

Fernando, amo você, meu rezingador!

Carta 123 – aquela dos outros 50%

On 24 de novembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

(ao som de O meu guri – Chico Buarque)

Oi, meu gorduchinho lindo!

Sabe que é só depois de um tempo que a gente consegue refletir sobre tudo o que passamos, da necessidade das coisas acontecerem de determinada maneira para serem como são hoje. Ainda insisto às vezes em ficar pensando “e se fosse assim”, “se tivesse descoberto antes”, “se…”, “se…”, “se…”, porque é algo que não controlo, que gostaria, mas não controlo. Bem, chega de falar nisso, quero é te contar do tempo presente.

A gravidez foi um período bem difícil, não só pra mamãe, mas pra nossos familiares e para o papai também. Por muito tempo eu achei que brigávamos, porque ele não se interessava, mas hoje eu vejo que  interesse havia, o problema era a forma de lidar com ele. “E se tívessemos conseguido conversar como conversamos hoje”, “E se não estivéssemos tão nervosos”… Agora pouco importa. O que tenho pra te falar hoje é que você tem um papai extremamente carinhoso, cuidadoso, que te ama e só pensa em garantir um futuro pra ti cheio de possibilidades.

Um dia você será adulto e entenderá como é difícil passar por certas coisas na vida. Estaremos, papai e eu, aqui, prontos para te ouvir, esclarecer, propor soluções, mas sobretudo deixar que você faça suas escolhas. Talvez tenha sido isso que tenha faltado pra ele nessa jornada até aqui (não por vontade de seus familiares, tenho certeza), mas por pessoas próximas que talvez pudessem ter facilitado as coisas. Enfim, não adianta ficar pensando no “se”, como mais uma vez estou fazendo.

O que importa agora é que a tempestade passou e agora velejamos numa calmaria, deixando que o movimento das ondas nos guie, num ótimo verão que vem pela frente.

Hoje, depois de vê-lo acordar às 6h30 da manhã e ficar te olhando para saber se você está bem, vê-lo correr pra farmácia atrás de um novo mamá, que te deixe melhor, apesar de eu achar que foi um exagero, um lindo exagero, mas ainda assim um exagero, eu confio plenamente nele. Ainda mais que na volta, ele limpou seu cocô como se tivesse feito isso a vida toda, como se fosse extremamente natural (e é, mas agora pra ele também).

Poderia escrever páginas agora, descrevendo cada momento lindo que vocês dois, nós três, temos passado, mas eu não preciso. Tenho consciência que de alguma maneira você está compreendendo tudo, criando cada vez mais laços, vínculos.

Tô toda boba com tudo isso, porque é mais uma vez a vida me dizendo “Mariáh, tenha paciência que tudo se resolve”. Tudo o que eu temia, pela minha experiência com a paternidade, graças a Deus, ao tempo, a sabe-lá-a-vizinha-o-que, não se concretizou. Aquela nuvem de coisas ruins que rondava meus pensamentos simplesmente se desfez. E uma nova visão da presença paterna na vida de uma criança, da minha criança, do nosso filhotinho, começa a se formar.

Mamãe te ama demais, Fernando, e tenho certeza, mais do que nunca, que o papai também!

Carta 122 – aquela de sempre estarmos felizes

On 22 de novembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

(ao som de Enter sandman – MetallicA)

Oi, bebezinho lindo!

Mamãe está cada vez mais apaixonada por ti. Essa noite tu deu um bailão na gente, eu estava completamente esgotada, dormi com um olho aberto e outro fechado, acordei de manhã tri cansada e… louca de vontade de te encher de beijos!! COMO PODE isso, meu filho? É uma coisa muito doida, porque eu já tive muitas noites mal dormidas que só pude me recuperar dias depois e agora não importa quantas horas (ou minutos) eu durma, estou sempre feliz, rindo, brincando, fazendo de tudo contigo…

Esses dias o Tio Leandro me perguntou se você vai junto comigo no aniversário das Tias Bondes. Eu ri, claro. Sinto-me uma mamãe-canguru mesmo. Você hoje tem pouco mais de dois meses, mas sabe que parece que sempre tive você comigo?

Estamos vivendo bons dias aqui. Nós te levamos para Yemanjá abençoar, inclusive. Você é um anjo em nossas vidas, meu lindo! Tenho milhares de fotos e vídeos registrando tudo. Fico pensando na sua festa de um aninho (eu sei que é só daqui 10 meses, mas e daí?!), como será linda, quero decorá-la toda, fazer tudo com muito amor!

Às vezes fico pensando em como será você com dentinhos, engatinhando, correndo… Não é que eu não goste da fase de agora, mas é muito bom planejar seu futuro, mesmo que depois a vida dê um jeito de fazer da forma que ela bem entenda… De qualquer maneira você sempre terá a nós e essa é a garantia de felicidade, porque nossas vidas se voltaram pra ti, tudo gira em torno do que será melhor para o Fernando.

A cartinha de hoje tá esquisitinha e confusa, mas é que  a mamãe tem que correr pra ajudar no churras na sacadinha, bem pobres!

Fernando, amamos você de montão!!

Ajude a avaliar meu blog!

On 18 de novembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

Olá, amiguinhos!

Hoje a cartinha é pra vocês! Preciso que me ajudem a avaliar meu blog pela página do Clube de Mães e Pais Blogueiros.

Estou participando da avaliação do mês de novembro e ninguém melhor que vocês, leitores, para me falar do que acompanham.

Antes de votar,  saiba o que é cada item a ser avaliado:

  • conteúdo: assuntos de que o blog trata, se o autor traz temas interessantes e relevantes;
  • escrita/gramática: se a gramática costuma ser correta, se a escrita está bonita e elaborada e se possui erros de grafia ou não;
  • serviços oferecidos: vantagens que o blog oferece aos leitores, ajuda, sorteios…;
  • aparência: se o blog tem um desing bom, se combina com o tema, enfim se é bonito;
  • navegabilidade: se é fácil de se navegar nesse blog, encontrar as informações procuradas.

Nomes e emails não serão revelados, eles servem apenas para controle.

No mês seguinte será revelado o resultado das votações de cada blog e feita uma nova seleção de blogs.

A avaliação pode ser feita aqui.

Conto com a colaboração de vocês!

Estou indo viajar novamente com o Fernando, mas em breve (bem breve mesmo, a viagem é beeeem mais curta) retornarei às atividades do blog! Beijo pra vocês, fiquem com Deus!

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Carta 121 – aquela do vídeo da mamãe bem lelé

On 17 de novembro de 2011, in Sem categoria, by Mariáh

Oi, meu filhotinho!

Mamãe está podre de cansaço, então hoje a cartinha é só pra registrar um vídeo que a gente gravou quando estávamos na casa da Bisa Eloiza. Espero que você perdoe a mamãe por ser tão lelé quando fala contigo, mas é inevitável.

Passamos a tarde na companhia do Tio Mika e do Dindo Gus e depois fomos ao teatro. Você dormiu no colinho do Tio Jader e teve o redemoinho na cabeça “descoberto” pelo Tio Joel, que também tem um – praticamente gêmeos! E tivemos vááárias promessas de visitas pra semana que vem. Oba!

Tá corrido, porque amanhã sairemos de viagem novamente: ótimos dias pela frente!

Mamãe te ama horrores, Fernando!

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(Ao som de Carimbador maluco – Raul Seixas)

Oi, meu filhotinho!

Fiquei décadas uns dias sem escrever, porque estávamos rodando no Rio Grande do Sul, em uma turnê para te mostrar aos amigos e parentes. Estávamos em Torres, até a última carta, depois fomos pra Cruz Alta conhecer os avós paternos. Isso era o que esperávamos, mas todo dia a gente conhecia novos parentes seus. Fiquei muito feliz em conhecê-los, porque são pessoas muito queridas e que já te amam muito. A vovó queria ficar contigo o tempo todo, você tomou banho só com ela, tava um grude só. Tão íntimo que deu um mijão de xixi nela, na parede e por onde você alcançou no quarto. Depois de ver seu avô, perdi qualquer esperança que de que você tenha alguma coisa minha (mentira, todo dia eu tento encontrar alguma semelhança nossa), você é a cara dos homens dessa família: do avô, do tio e do pai. Nem a boca que eu tinha esperança que fosse minha… nada! Tudo bem, eu só carreguei nove meses, tive aquele parto de 15 horas, NÉ?! Capaz, filho, mamãe tá brincando, você ter saúde é o que importa (e ainda vai crescer horrores, pode surgir algum traço meu…). Mas confesso que essa semana por lá me deixou com ciúmes de tanta gente me dizendo como seu olhinho era do papai, a boca do vovô, as bochechas do tio… Você teve vários momentos bacanas com tua família paterna, mas o  que valeu pra mim e me deixou bem emocionada foi o seu avô contando histórias da nossa família por parte da mamãe. Sim, eu acho que nunca falei que os pais da mamãe e do papai foram amigos na juventude deles. Mas nem a mamãe nem o papai sabiam antes de ti.

Cada vez que uma coisa dessas acontece eu penso que era pra ser, era pra eu engravidar nesse momento, dessa forma, sei lá, como se eu precisasse passar por tudo isso e ainda dessa maneira. Com toda a confusão que foi, posso dizer hoje com convicção que o saldo é positivo. E que nada nesse mundo acontece por acaso.

Seu avô foi muito amigo da mãe do Tio Gaby, a minha Tia Pitita, tem muito apreço por ela, falou várias vezes sobre a perda dela. Conheceu também a vovó Carmen, meus bisas (teus tataravôs). Contou uma história do Bisa Valdir que fez meus olhos encherem de lágrimas, porque é uma história que eu escuto há anos, a Bisa Eloiza e ele sempre contavam, e o seu avô me disse que estava presente nesse dia. O bisa sempre chegava em casa, ia ao banheiro e depois direto pras panelas pra saber o que tinha pra comer. E quando a Bisa Eloiza perguntava o que ele queria, ele dizia que comeria qualquer coisa, até pedra se tivesse. Não sei o porquê, mas num belo dia resolveram fazer a tal sopa de pedras pra ele, que chegou, foi ao banheiro e depois nas panelas. Claro que ficou furioso, disse que estavam curtindo com a cara dele (não nessas palavras, óbvio). É uma história tão banal, mas tão clássica, que realmente me tocou saber que isso aconteceu mesmo (porque até então eu achava que era lenda). E ainda mais que ele falou da vovó, da Tia Pitia, dos Bisas e dos Tatas com tanto carinho e respeito… A Bisa sempre diz “não deixe rabo pra falarem de ti” e dessa vez caiu como uma luva, só coisas boas ele me disse. Antes de irmos embora de Cruz Alta, pedi para que passássemos na frente da casa em que a vovó Carmen cresceu e o Tio Gaby e a mamãe foram criados. Eis o registro da nossa casa na rua General Portinho, 954, onde fomos muito felizes:


Depois ainda passamos mais uns dias na chácara dos seus avós, onde alguns amigos da família foram te conhecer também. Mamãe está montando um álbum bem bonito com todos esses momentos que registrei. Você ganhou um burrinho de pelúcia da vovó, um conjuntinho dos tios e uns agrados do vovô (não tirei foto de todos os presentes, então só mencionarei e futuramente mostrarei em fotos você usando).

A próxima parada foi em Santa Maria. Ficamos hospedados na casa da Dinda Lu. Hospedados não é bem a palavra, já que estar mais em casa do que lá, impossível. O Tio Arthur cedeu o quarto dele e ficamos nós dois e a Dinda acampados por lá. A Tia Solange o tempo todo queria ficar contigo, num chamego só. E o Tio Bolinha era só ciúmes por todas as atenções que estavam sendo destinadas a ti. Mamãe não tá exagerando, a Tia Solange tem três filhos e ele é o mais velho e ainda com espírito de caçula – e eu tô começando a entender isso. Momento two and a half men com Tio Arthur e Tio Bolinha. E depois com a Dinda e com a Tia Solange.

Fomos na casa dos meus avós paternos, teus bisas. Ficaram muito felizes e realizados, quero muito voltar contigo muitas  outras vezes lá. Mamãe teve ótimos momentos naquela casa, tenho certeza que você terá também. Quero muito te ver nadando na piscina da bisa com ela. Se tudo der certo, em breve nos encontraremos lá com a Tia Gis e a prima Júlia. A Gis é minha tia, de você ela é tia-avó haha tadinha, bem nova e com esse titulo! Mas ela gosta tanto de ti que acho que nem se importa.

A Dinda Luise e a Tia Marcela foram conosco no mercado. Pensa num mercado cheio meu filho… Mas como estávamos contigo, fomos pra nossa fila preferencial. Mamaãe adora utilizá-la. Depois fomos na casa do Tio CV rever o pessoal, te apresentar pessoalmente, mas acabou que não tiramos foto com ele! Ele é de Cabo Verde, teu querido tio africano. Mamãe te deu tios de vários países e continentes, podre de chique você! Quando você estiver aprendendo a falar português, quero que vocês convivam mais, assim ensinarei os dois juntos. O Tio Romano foi lá também. Teve uma hora que tu entrou em colapso geral: vomitou, se mijou e tava sem calça. Ficou parecendo o tio Romano sempre em algumas situações. A Tia Mari foi lá também, querida, sempre te cuidando.
Mamãe já tá confusa de onde encontrou as pessoas em virtude de tantas visitas. A Tia Silvia também ficou super feliz em finalmente te conhecer, a Tia Val, o Tio Bertholdo, a Tia Norma então… Deu até receitinha pras brotoejas que o calor santamariense causou no teu rostinho… Taquei maisena antes do banho! Tio Marcilio e a Tia Clari também te curtiram quando fomos na casa dos Papa. Mamãe já foi muito feliz por lá e continua sendo cada vez que volta, agora tu vai fazer parte dessa grande família que frequenta a casa. Aliás, já faz parte.
Ainda tivemos um dia de conversa com o Tio Adriano, a Tia Vivi e o Tio Uilian. Como é bom reencontrar os amigos, filhote. Todos com novas perspectivas, planos. É muito bom ver todo mundo virando adulto, aprendendo a se virar. Não que não fossem, mas eu percebi que 2011 não foi só definitivo pra mamãe.
Encontramos também o Tio Thiago, que voltou pra dança, fiquei muito feliz. Com eles a gente não tirou foto, porque a mamãe esqueceu. Eu sei, uma droga, mas não faltarão oportunidades. Também fomos na casa da Tia Maiara, que a mamãe não via há tempos, tava mais que na hora de nos revermos. Todos na casa adoraram você e você se encantou com o mural dela no quarto, nem deu bola pro brinquedo que ganhou, queria era o mural. Tivemos a visita “em casa” da Tia Andressa, te levou um body lindo, que nessa altura já tá ficando velho de tanto que tu usou na viagem.
Depois de Santa Maria voltamos pra Torres, onde ficamos mais uns dias com todo mundo te curtindo. A Vovó Carmen não queria te soltar nem a Bisa. A Tia Nena e a Pola não paravam de te dar uns beijos bem estalados.
Passamos na casa da Dinda Luísa e papai levou mais parentes lá para te conhecerem. Ela te deu uma havaianas linda de morrer, não vejo a hora de ver teus dedinhos cabendo no chinelinho. E, por último, antes de chegarmos em Curitiba, não menos importante, mas fundamental, encontramos o Tio Thiago, que também não perdeu a chance de te ninar…
Aí pra finalizar essa louca jornada em turnê pelo Rio Grande, papai veio conosco pra Curitiba. Olha, filho, depois desses dias com ele por aqui, tenho convicção em dizer que se tua felicidade depender do amor que temos por ti e dos esforços que o papai tem feito pra te dar tudo do melhor, tá garantida uma vida maravilhosa. Nada como o tempo…
Essa é a carta mais longa da história, nunca vista antes, jamais imaginada, mas é que estávamos correndo os pampas, mamãe não teve tempo pra sentar na frente do computador e dar continuidade aos relatos.
Amo-te, meu lindão! E prepara a mochila que vamos partir novamente em breve =)
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