(ao som de Losing my religion – R.E.M.)

Olá, meu pequeno serelepe!

No decorrer das cartas, a mamãe falou bastante dos teus 248 padrinhos, né? Apesar disso, nunca mencionei batizado. Ou mencionei? Não lembro! Há algum tempo, nós, papai e mamãe, decidimos que não iremos te batizar em alguma igreja. Muita gente ficou chocada com isso, principalmente familiares, mas é que a gente não frequenta nenhum tipo de culto. Acho que seria muita hipocrisia a gente ir numa igreja apenas por uma questão de convenção social. Isso não quer dizer que a gente não acredite em Deus, bem pelo contrário.

Quando eu descobri da gravidez e estava surtada um pouco confusa, uma mãe bem bacana me perguntou se eu acreditava em Deus e eu disse que sim. Ela me falou então que mães  têm  que acreditar e rezar ainda mais por Deus. Ela tinha razão.

Nós também contamos com a proteção de Iemanjá, não só (mas inclusive) por morarmos na praia. Eu sempre fui devota e o papai fala que ele também. Todos os dias que têm sol e não está muito frio, eu vou de bicicleta contigo na praia. Tu fica bem sereno olhando pro mar, a mamãe também relaxa buscando aquela paz interior que o som do mar e o ar praiano proporcionam.

Apesar de eu já ter escutado que não te batizarmos é uma bobagem, que é coisa de pai pseudo moderno, que somos obrigados a dar uma religião pra ti, que tu não pode ficar sem frequentar igreja, a gente vai sim dar uma educação religiosa pra ti em casa. E, quando tu for maiorzinho, se quiser se batizar em alguma igreja, daremos total apoio.

O papai e eu temos as nossas opiniões sobre a tua criação e algumas vezes elas são bem singulares, isso incomoda uns e outros. A gente às vezes até entra na discussão (mamãe!) ou então faz cara de cabra-sem-ambição (papai!) e simplesmente não responde. O que importa é te criarmos com verdade (mesmo que seja a nossa), de acordo com o que acreditamos e sempre pensando no melhor pra ti.

Ainda vamos marcar um final de semana com teus 124 padrinhos (sim, a vida os reduziu à metade), fazer uma celebração massa na praia, molhar teus pezinhos, bem do jeito que a gente decidiu.

Mamãe te ama, Fernando, meu-sem-religiãozinho!